Indústria de Games está Estagnada diz “Pai do Playstation”

Indústria de Games está Estagnada diz “Pai do Playstation”

Se há alguém no mundo dos jogos com autoridade de sobra para falar sobre inovação, essa pessoa é Ken Kutaragi. Conhecido universalmente como o “Pai do PlayStation” por ter arquitetado o console que revolucionou a indústria nos anos 90, o lendário engenheiro japonês voltou a dar declarações marcantes e o recado para a indústria atual não foi nada suave. 

Durante sua participação na cerimônia de abertura do centro de pesquisas acadêmico CEREC (Creative Entertainment Research and Education Center), no Japão, Kutaragi afirmou que o mercado de videogames enfrenta uma estagnação criativa e que, em termos de conteúdo e métodos de criação, a indústria pouca coisa evoluiu em relação às bases estabelecidas no século passado. 

Gráficos Absurdos, Mas Fórmulas Repetitivas

Apesar do salto tecnológico inacreditável nas GPUs, tempos de carregamento nulos e gráficos beirando o fotorrealismo, Kutaragi pontuou que a indústria atual caiu numa zona de conforto. O excesso de continuações, fórmulas repetitivas e a busca desenfreada por orçamentos milionários e “lucro seguro” acabaram podando a disposição do setor em correr riscos criativos.

Para o criador do PS1 e PS2, o setor ainda não pode ser considerado um mercado totalmente “maduro” e finalizado, pois ainda há barreiras imensas e rupturas tecnológicas por vir.

“No momento em que você perde a curiosidade e pensa: ‘Isso é o melhor que podemos fazer’, tudo acaba.”

-Ken Kutaragi, incentivando a nova geração de desenvolvedores a buscar a próxima grande disrupção tecnológica.

Uma Indústria em Ponto de Virada

O recado de Kutaragi surge em um momento delicado do mercado. Com demissões em massa nas grandes publishers, custos de desenvolvimento insustentáveis e a saturação dos jogos como serviço (Live Services), a mensagem do lendário executivo ecoa como um alerta: gráficos bonitos não seguram uma indústria sem curiosidade e ousadia criativa.

Ele acredita, contudo, que estamos à beira de um novo ponto de transição, cabendo agora aos novos criadores quebrar os velhos moldes e explorar caminhos totalmente inéditos para a mídia.