O epílogo de Cyberpunk 2077: Phantom Liberty era mais sombrio e estranho antes de ser cortado

O epílogo de Cyberpunk 2077: Phantom Liberty era mais sombrio e estranho antes de ser cortado

Diretor narrativo revela que a CD Projekt RED chegou a desenvolver um final muito mais obscuro e experimental para a expansão antes de optar por uma abordagem mais coesa


O final que milhões de jogadores conhecem hoje em Cyberpunk 2077: Phantom Liberty, aquele que muitos consideram um dos momentos mais fortes e memoráveis da expansão, quase não foi o mesmo. O diretor narrativo Igor Sarzyński revelou que o estúdio CD Projekt RED chegou a desenvolver um epílogo totalmente diferente, muito mais sombrio e bizarro, antes de decidir abandonar essa versão. 

Uma versão profunda e inquietante que nunca chegou ao jogo

De acordo com Sarzyński, o epílogo original estava bem avançado em termos de desenvolvimento: havia ambientes prontos, sistemas de missão implementados e diálogos escritos. Contudo, à medida que a história principal da expansão tomou forma, ficou claro para a equipe que aquela conclusão não “dialogava” tonalmente nem tematicamente com o restante da narrativa. Por isso, a CD Projekt RED optou por descartar quase tudo e criar o final que os jogadores hoje experimentam. 

O que era essa versão alternativa? Sarzyński não entrou em detalhes abundantes, mas descreveu esse esboço de epílogo como muito mais denso, obscuro e estranho do que o resultado final, o que acentuou ainda mais o contraste com o tom geral que a expansão acabou adotando. 

Entendendo o “conteúdo cortado” de forma construtiva

Mais do que só falar sobre o que foi cortado, Sarzyński aproveitou para explicar por que remover conteúdo mesmo muito trabalhado pode ser um passo essencial no desenvolvimento de jogos complexos como Cyberpunk 2077. Ele destacou que, ao contrário da visão popular de que cortes ocorrem por preguiça ou prazos, muitas vezes é um processo de refinamento: enquanto a narrativa, a jogabilidade e a tecnologia se encaixam, algumas partes deixam de servir à visão geral do jogo e precisam ser repensadas ou removidas. 

Esse tipo de decisão também foi usada para justificar outras escolhas criativas na expansão, como a inclusão tardia de momentos mais leves e humanos, por exemplo, uma cena de dança com Alex que surgiu já nas fases finais de desenvolvimento para equilibrar a atmosfera pesada da trama. 

O que isso nos diz sobre desenvolvimento narrativo

A revelação de Sarzyński é um lembrete fascinante de como jogos modernos são organismos narrativos e técnicos em constante evolução. Mesmo ideias que pareciam “quase prontas” podem ser repensadas quando a equipe percebe que não contribuem para a experiência emocional desejada.

Concluindo, a versão que chegou ao público foi aquela que, nos termos dos próprios criadores, serviu melhor à história e ao tom da expansão como um todo, um exemplo claro de que menos às vezes é mais quando se trata de contar uma grande história em um mundo tão rico e complexo quanto o de Cyberpunk 2077. 

Fonte: GamingBolt