Ex-executivo da Blizzard e da Microsoft vê potencial no sistema da Valve e critica a dependência do Windows
Mike Ybarra, ex-presidente da Blizzard e ex-executivo do Xbox, reacendeu um antigo debate dentro da indústria: a possibilidade de o SteamOS finalmente ser liberado para fabricantes terceiros. Em uma publicação recente nas redes sociais, Ybarra afirmou que a Valve deveria permitir que outras empresas adotassem o sistema em seus próprios dispositivos, transformando o ecossistema em algo muito mais amplo e, segundo ele, mais lucrativo. Para Ybarra, a estratégia atual da Valve funciona, mas está longe de atingir seu potencial máximo. Ele argumenta que, ao abrir o SteamOS para parceiros, a empresa ampliaria de forma natural a adoção do sistema e, consequentemente, aumentaria a receita da própria Steam Store.
O executivo foi direto: mais hardware compatível significaria mais usuários comprando jogos, assinando serviços e investindo em toda a cadeia da Valve. Ybarra não se limitou a elogiar a Valve, ele também cutucou a Microsoft. Segundo ele, a insistência da empresa em manter o Xbox preso ao Windows, agora cada vez mais voltado para IA, Copilot e integração corporativa, limita o potencial da divisão de games. Para Ybarra, um console Xbox rodando SteamOS seria mais enxuto, mais eficiente e muito mais competitivo no mercado dominado pelo PC gaming portátil.
Por que o SteamOS ainda não é aberto para o público?
Apesar de ser baseado em Linux e ter uma proposta teoricamente aberta, o SteamOS continua restrito a dispositivos específicos, como o Steam Deck e o recém-lançado Lenovo Legion Go S. Especialistas apontam que a limitação é, acima de tudo, técnica. Para funcionar de forma estável em dezenas de configurações, o sistema precisaria de um suporte de drivers que ainda não existe e a Valve, até agora, preferiu concentrar seus esforços na parceria com a AMD, garantindo compatibilidade total para:
- Steam Deck
- Steam Machine (previsto para 2026)
- Steam Frame (também previsto para 2026)
A ideia é consolidar a família de hardwares da Valve antes de abrir o ambiente para qualquer fabricante. Enquanto a Valve adia a abertura do SteamOS, a comunidade Linux não ficou parada. Uma das distribuições mais populares é o Bazzite, baseado no Fedora, que reproduz boa parte da experiência do SteamOS, incluindo a inicialização direta no modo Big Picture. Na prática, muitos jogadores já tratam o Bazzite como uma alternativa não oficial ao sistema da Valve.
Toda essa discussão se intensifica com a aproximação do Steam Machine, um PC compacto da Valve planejado para 2026. Para alguns analistas, esse lançamento é mais do que apenas um novo hardware, é uma ameaça direta ao modelo de negócios do Xbox. Joost van Dreunen, professor da NYU e especialista do mercado, foi categórico ao comentar o impacto da novidade: O Steam Machine, segundo ele, transforma o maior medo da Microsoft em um produto real e competitivo: um PC de fácil acesso, totalmente integrado ao ecossistema Steam, que desloca o foco do hardware para os serviços, justamente o terreno onde a Microsoft insiste em competir com o Game Pass e a nuvem.
