Eidos-Montréal Demite 124 Funcionários e Perde sua Liderança Histórica

Eidos-Montréal Demite 124 Funcionários e Perde sua Liderança Histórica

Sob o controle do Grupo Embracer, estúdio de Deus Ex e Guardians of the Galaxy sofre redução de quase 50% de seu quadro original desde 2022; saída de David Anfossi sinaliza mudança drástica de direção criativa.


A Eidos-Montréal atravessa sua crise institucional mais profunda desde a fundação. Em um comunicado oficial que reverberou negativamente em toda a indústria nesta segunda-feira (30), o estúdio confirmou a demissão de 124 colaboradores, atingindo tanto as linhas de frente do desenvolvimento quanto os setores de suporte estratégico. O impacto é agravado pela renúncia imediata de David Anfossi, chefe do estúdio que liderou a empresa durante seus anos de maior prestígio técnico. Segundo a nota oficial, a reestruturação é uma resposta direta à necessidade de “adaptar e concentrar esforços” em setores de maior eficiência produtiva, evidenciando que a pressão econômica do Grupo Embracer por rentabilidade imediata continua a desmantelar a infraestrutura de seus estúdios de elite em Montreal.

Analiticamente, o encolhimento da Eidos-Montréal é o reflexo de um modelo de gestão que prioriza a contenção de danos em detrimento da inovação de longo prazo. Desde a aquisição pela Embracer em 2022, quando contava com 481 funcionários, o estúdio passou por sucessivas ondas de cortes: 75 desligamentos em março de 2025, seguidos por uma redução não quantificada em dezembro e, agora, a perda de mais 124 profissionais. Matematicamente, quase metade da força de trabalho original foi dissipada em menos de quatro anos. Estrategicamente, a saída de Anfossi sugere uma ruptura de visão; o executivo era o fiador de projetos de alta fidelidade e narrativa densa, características que parecem estar em rota de colisão com as novas demandas de projetos de menor risco financeiro do conglomerado sueco.

O futuro das propriedades intelectuais do estúdio entra em um hiato de incertezas, especialmente a franquia Deus Ex. Rumores internos indicam que o protótipo de um novo capítulo da saga de ficção científica foi sumariamente descartado por ser considerado “muito nichado” para os padrões de retorno exigidos pela Embracer no cenário pós-pandemia. Este é o segundo cancelamento de um projeto da série em menos de dois anos, o que sinaliza uma possível “hibernação” forçada de IPs que não se encaixam no modelo de jogos como serviço ou produções de escala reduzida. A ausência de um anúncio de substituto para Anfossi indica que o estúdio operará sob uma liderança de transição focada em austeridade, e não em expansão criativa.

O que muda para o mercado de desenvolvimento em Montreal, um dos maiores hubs globais de games, é a percepção de instabilidade em estúdios que antes eram considerados pilares de segurança profissional. A Eidos-Montréal, outrora referência em storytelling imersivo e excelência em RPGs de ação, agora luta para manter a estabilidade da equipe remanescente e o moral interno. Para a indústria em 2026, o caso da Eidos serve como um alerta severo sobre os riscos de consolidações corporativas massivas: sem uma liderança que proteja a identidade criativa e um fluxo de caixa que suporte ciclos de desenvolvimento AAA, mesmo os estúdios mais talentosos correm o risco de se tornarem apenas engrenagens de suporte para projetos terceirizados, perdendo sua capacidade de definir os rumos do entretenimento digital.