Consoles reduzem distância para o Ultra de PC em Kingdom Come: Deliverance, aponta Digital Foundry

Consoles reduzem distância para o Ultra de PC em Kingdom Come: Deliverance, aponta Digital Foundry

Warhorse Studios atualiza o clássico RPG para PS5 e Xbox Series com melhorias na CryEngine, mas limitações de upscaling impedem a perfeição técnica.


A Warhorse Studios oficializou a transição de seu aclamado RPG histórico, Kingdom Come: Deliverance, para o hardware da atual geração. Disponível como um upgrade gratuito para detentores das versões de PS4 e Xbox One, a nova edição traz uma modernização profunda na arquitetura técnica do título. Segundo análise detalhada da Digital Foundry, o jogo agora opera sob uma versão severamente modificada da CryEngine, apresentando avanços cruciais no multithreading da CPU e um pipeline de renderização atualizado. O resultado prático é uma experiência nos consoles que, pela primeira vez, aproxima-se da qualidade visual encontrada nas configurações “Ultra” do PC, elevando o nível de detalhes em materiais como lama, tecidos e alvenaria através de um novo pacote de texturas em alta resolução.

Analiticamente, o desempenho nos novos hardwares revela um equilíbrio delicado entre ambição visual e estabilidade. No PlayStation 5, Xbox Series X e PS5 Pro, o jogo utiliza um sistema de resolução dinâmica que oscila entre 1080p e 1440p. Embora o objetivo de todos os consoles seja atingir os 60 FPS, a estabilidade absoluta ainda é um desafio: o PS5 mantém a meta em interiores, mas sofre quedas para a faixa dos 40 FPS em vilas densamente povoadas, enquanto o Xbox Series X apresenta um desempenho ligeiramente inferior em cenários de estresse. O destaque inesperado fica para o Xbox Series S, que, ao adotar configurações gráficas mais leves e abdicar do pacote de texturas 4K, entrega a taxa de quadros mais estável entre as máquinas base. No topo da pirâmide, o PS5 Pro utiliza seu excedente de GPU para manter resoluções mais altas de forma constante, sendo a plataforma que mais se aproxima da fluidez total.

Estrategicamente, a escolha tecnológica da Warhorse Studios para o upscaling gerou debates técnicos. O uso do AMD FSR 1 combinado com sharpening via CAS é visto como uma solução defasada para 2026, resultando em cintilações perceptíveis em folhagens e objetos distantes. No entanto, a evolução da iluminação global via SVOGI e o aprimoramento do ambient occlusion transformaram a atmosfera do jogo, conferindo um realismo volumétrico superior às florestas da Boêmia. O aumento do nível de detalhe (LOD) para NPCs e vegetação também mitigou o agressivo pop-in do lançamento original, embora não o tenha eliminado por completo, garantindo uma imersão muito mais condizente com o poder de processamento do PS5 e Xbox Series.

Para o mercado de RPGs de nicho, o lançamento deste upgrade gratuito é uma manobra de fidelização fundamental antes de qualquer anúncio sobre uma sequência. Ao oferecer suporte a VRR (Variable Refresh Rate), a Warhorse suaviza as inconsistências de desempenho, embora usuários de PS5 ainda enfrentem engasgos visíveis quando o jogo cai abaixo dos 48 FPS, saindo da janela de compensação do console. No balanço final, Kingdom Come: Deliverance na nona geração deixa de ser um “diamante bruto” limitado pelo hardware antigo para se tornar uma vitrine técnica da CryEngine, provando que a complexidade sistêmica de Henry de Skalitz ainda tem fôlego para competir com as superproduções contemporâneas.