Mark Gerhard, cofundador do estúdio ao lado de Leslie Benzies, justifica novos cortes brutais com uma narrativa de conspiração corporativa que agora segue para os tribunais.
O estúdio Build a Rocket Boy (BARB) vive o capítulo mais turbulento de sua curta história neste início de março de 2026. Mark Gerhard, CEO e cofundador da empresa, anunciou uma nova e severa rodada de demissões, descrevendo a medida como “brutal e devastadora”. O movimento ocorre meses após o lançamento de MindsEye, o ambicioso título de estreia que prometia rivalizar com a escala de Grand Theft Auto, mas que enfrentou uma recepção técnica e comercial problemática. Em um comunicado oficial via LinkedIn, Gerhard não apenas lamentou o impacto humano dos cortes, mas escalou a retórica contra agentes externos, afirmando possuir “provas esmagadoras” de que o fracasso parcial do projeto foi fruto de uma campanha de espionagem organizada e sabotagem corporativa.
A narrativa de Gerhard introduz um elemento raro na indústria de jogos: a alegação de criminalidade direcionada. Segundo o executivo, meses de auditoria com consultores jurídicos e parceiros externos identificaram atividades ilícitas que teriam comprometido o código e a infraestrutura de lançamento de MindsEye. Analiticamente, essa postura serve como um escudo contra as críticas à gestão de Leslie Benzies (ex-presidente da Rockstar North), cujo histórico de litígios com a Take-Two Interactive já colocava o estúdio sob os holofotes de investidores. Ao mover o caso para a esfera judicial, a Build a Rocket Boy ganha tempo para reestruturar suas finanças, mas aprofunda a incerteza sobre a viabilidade de seus outros projetos, como a plataforma de criação Everywhere.

O custo humano da reestruturação e o cenário macroeconômico
Apesar das alegações de sabotagem, Gerhard contextualizou as demissões dentro da crise sistêmica que assola a indústria global em 2026. O setor atravessa um período de correção agressiva de custos, onde mesmo estúdios independentes de alto orçamento (Triple-I) lutam para manter margens de lucro diante de juros elevados e saturação de mercado. Para os profissionais afetados, a Build a Rocket Boy prometeu auxílio na transição de carreira, mas o impacto reputacional de um lançamento “sabotado” pode dificultar a absorção desses talentos por outras gigantes do setor. A estratégia de contenção atual visa preservar um núcleo mínimo de desenvolvedores para manter os servidores de MindsEye ativos enquanto o estúdio busca novos aportes de capital ou uma possível aquisição.
A Build a Rocket Boy agora entra em um modo de “sobrevivência jurídica”. Se as provas de espionagem forem validadas em tribunal, o estúdio poderá pleitear indenizações bilionárias que salvariam sua operação. Caso contrário, a narrativa corre o risco de ser vista pelo mercado como uma tentativa de encobrir falhas de escopo e execução técnica. O futuro da empresa depende inteiramente da capacidade de MindsEye se recuperar através de atualizações, que Gerhard afirma estarem sendo priorizadas pela equipe remanescente e da confiança que Benzies ainda detém entre os fundos de capital de risco.
