Fechamento da Bluepoint Games expõe tensões entre Sony e FromSoftware pondo um fim do sonho de Bloodborne

Fechamento da Bluepoint Games expõe tensões entre Sony e FromSoftware pondo um fim do sonho de Bloodborne

O encerramento do estúdio responsável pelo remake de Demon’s Souls ocorre após o cancelamento de um projeto live service de God of War e a recusa da FromSoftware em autorizar o retorno de Bloodborne.


A reestruturação interna da Sony Interactive Entertainment atingiu seu ponto mais dramático em 2026 com a confirmação do encerramento das atividades da Bluepoint Games, estúdio texano que se tornou referência global em reconstruções técnicas de alto nível. Segundo relatório detalhado pela Bloomberg, o destino da subsidiária foi selado após uma sucessão de projetos frustrados que evidenciam o choque entre a nova visão estratégica da Sony e a identidade técnica do estúdio. O estopim teria sido o cancelamento, em janeiro de 2025, de um ambicioso título live service ambientado no universo de God of War. O projeto, que focaria na jornada de Atreus com elementos cooperativos, foi encerrado devido a obstáculos intransponíveis de desenvolvimento, expondo a dificuldade da Bluepoint em adaptar seu DNA de excelência em remakes para a complexidade operacional de jogos com suporte contínuo.

A barreira da FromSoftware e o veto ao remake de Bloodborne

Em uma tentativa final de salvar o estúdio e retornar ao terreno onde construiu sua reputação, a Bluepoint apresentou à Sony, no início de 2025, uma proposta formal para o desenvolvimento do remake de Bloodborne. Contudo, a iniciativa enfrentou uma barreira política inesperada: o desinteresse da FromSoftware. De acordo com fontes próximas ao processo, o estúdio japonês liderado por Hidetaka Miyazaki não demonstrou disposição para autorizar uma nova versão do título, preferindo manter o controle criativo sobre suas obras e evitar o desgaste da fórmula em lançamentos terceirizados. Para a Sony, a recusa da FromSoftware removeu a última peça que justificava a manutenção da Bluepoint como um estúdio autônomo, uma vez que a empresa buscava consolidar seus estúdios em torno de produções com potencial de receita recorrente ou expansão transmídia agressiva.


O fechamento da Bluepoint Games não é apenas uma perda de braço técnico, mas um sinal claro de que a Sony está endurecendo sua política de gestão de estúdios sob a nova diretriz de eficiência fiscal. Analiticamente, o caso revela uma fissura na parceria histórica entre Sony e FromSoftware; o controle absoluto que o estúdio japonês agora exerce sobre suas propriedades intelectuais, impulsionado pelo sucesso estratosférico de Elden Ring, limita o poder de manobra da PlayStation sobre clássicos como Bloodborne. Sem a Bluepoint para atuar como a “ponte de engenharia” entre os dois gigantes, a IP entra em um estado de hibernação indefinida. Para o mercado, o recado de 2026 é severo: nem mesmo um histórico de sucessos técnicos garante a sobrevivência de um estúdio se ele não se alinhar às metas de serviços ao vivo da companhia mãe ou se depender de parcerias externas que agora buscam independência total.