Apesar da parceria entre Asus e Microsoft, o dispositivo com Windows enfrenta dificuldades de retenção diante da experiência de console oferecida pelo sistema da Valve.
O mercado de PCs portáteis, que viveu uma explosão de lançamentos entre 2024 e 2025, parece ter encontrado seu teto de estabilidade em fevereiro de 2026. Segundo Matt Piscatella (analista sênior da Circana), o Steam Deck consolidou sua posição como o hardware favorito dos entusiastas, enquanto o ROG Xbox Ally (projeto conjunto da Asus com a Microsoft) apresentou uma queda acentuada em seu ritmo de vendas após um período inicial de euforia. Embora a Asus tenha projetado receitas ambiciosas de até US$ 160 milhões para o fechamento de 2025, o dispositivo não conseguiu sustentar o interesse do grande público no longo prazo. O fenômeno sugere que, para o consumidor médio, a potência bruta do hardware e a integração com o ecossistema Windows ainda não são suficientes para superar a conveniência de uma interface dedicada e otimizada.
A barreira da interface e a eficiência do SteamOS
Um dos fatores determinantes para essa disparidade de desempenho comercial reside na experiência de usuário (UX). Enquanto o Steam Deck é frequentemente elogiado por oferecer uma navegação fluida e intuitiva (semelhante à de consoles tradicionais como o Nintendo Switch), o ROG Xbox Ally sofre com as limitações de um sistema operacional que não foi plenamente adaptado para telas pequenas e controles táteis. Relatos de usuários indicam frustração com a navegação confusa do aplicativo Xbox e a interrupção constante por atualizações de sistema demoradas, típicas do ambiente Windows. Essa fricção tecnológica tem sido o principal obstáculo para que a Microsoft e a Asus abalem a soberania da Valve, que já detinha quase metade do mercado de portáteis no início de 2025 com cerca de 4 milhões de unidades vendidas.
Apesar da liderança, a Valve não está imune aos desafios macroeconômicos que atingem a indústria de semicondutores. A empresa enfrenta sérios gargalos de estoque, especialmente no modelo equipado com tela OLED, devido à escassez global de módulos de memória e armazenamento de alta performance. Com a descontinuação das versões LCD mais simples no final de 2025, o mercado de portáteis acessíveis encolheu, empurrando os preços para cima. A situação é ainda mais crítica em regiões como o Japão, onde o custo de dispositivos equipados com o chip Ryzen Z2 Extreme sofreu reajustes superiores a 20%. Esse cenário de inflação tecnológica pode nivelar o campo de jogo por meio do preço, forçando consumidores a reconsiderar se a portabilidade justifica o investimento em um momento de hardware cada vez mais oneroso.
