A executiva nega o uso de funcionários ou inteligência artificial em seu perfil pessoal e justifica o progresso em sua conta como resultado de um ambiente doméstico compartilhado.
A nova CEO da divisão de jogos da Microsoft utilizou suas redes sociais para enfrentar diretamente uma das polêmicas mais inusitadas de sua gestão inicial, a legitimidade de sua conta pessoal no ecossistema Xbox. Desde que assumiu o cargo, Asha Sharma tornou-se alvo de escrutínio por parte da comunidade, que apontou inconsistências em sua Gamertag, sugerindo que o perfil seria alimentado por assessores ou até mesmo por sistemas de inteligência artificial para simular uma proximidade com o universo gamer que ela (vinda de setores técnicos da Microsoft) teoricamente não possuiria.
A suspeita ganhou tração devido à criação recente da conta e à rapidez com que certas conquistas foram desbloqueadas, levantando dúvidas sobre se a liderança da marca estaria tentando forjar uma identidade para apaziguar os ânimos de uma base de fãs já fragilizada pela saída de figuras históricas como Phil Spencer.
Transparência sobre a conta doméstica e o aprendizado no setor
Em resposta a um artigo da IGN que sintetizava as desconfianças do público, Sharma optou pela franqueza ao explicar que a conta em questão não foi concebida para ser uma vitrine pública de suas habilidades, mas sim um laboratório pessoal de aprendizado. Segundo a executiva, o perfil funcionava como uma conta doméstica compartilhada entre diversos membros de sua família e em múltiplos dispositivos, o que justificaria a lista eclética de títulos e a frequência incomum de atividades. Ela admitiu que fingir um histórico que não possui seria uma estratégia fadada ao fracasso e confirmou que, diante da repercussão, cada membro de sua casa passou a utilizar identidades digitais próprias, individualizando o progresso e encerrando a confusão que alimentou as teorias da conspiração nos últimos dias.
A postura de Sharma (que reiterou ser a autora pessoal de suas publicações) reflete a tentativa de humanizar uma gestão que nasceu sob o signo da desconfiança técnica. Ao reconhecer que as dúvidas dos jogadores têm fundamento (visto que ela é uma recém-chegada a um setor com códigos culturais muito específicos), a CEO busca deslocar o foco de sua perícia individual com o controle para sua capacidade de gestão estratégica. Seu objetivo declarado é reconectar o Xbox com suas raízes e fortalecer a marca para o futuro, embora o mercado continue observando com cautela como uma liderança forjada na divisão de inteligência artificial da Microsoft conseguirá navegar em um território onde a paixão e a autenticidade são moedas de troca tão valiosas quanto a eficiência dos dados.
