Por que a equipe de Clair Obscur: Expedition 33 trabalhou duas vezes mais para finalizar o RPG

Por que a equipe de Clair Obscur: Expedition 33 trabalhou duas vezes mais para finalizar o RPG

Sandfall Interactive fez escolhas corajosas e enfrentou desafios com uma equipe jovem


Clair Obscur: Expedition 33 não é apenas um sucesso de crítica e público — é um projeto que exigiu um nível de dedicação e esforço acima da média de seu próprio time. Em entrevista, o diretor criativo Guillaume Broche e outros membros da Sandfall Interactive explicaram por que o estúdio teve que lidar com um processo de desenvolvimento particularmente intenso antes de entregar o RPG tão elogiado. 

Uma equipe jovem e cheia de ideias

Em vez de montar um time tradicional com muitos veteranos da indústria, a Sandfall optou por contratar muitos desenvolvedores mais jovens e com menos experiência. A ideia era apostar em criatividade, espírito livre e perspectivas diferentes, já que, segundo o estúdio, desenvolvedores muito experientes às vezes tendem a optar por soluções “seguras” em vez de ousadas. 

O resultado foi uma equipe cheia de energia e vontade de inovar, mas isso também significou que muitos processos básicos, desde design até implementação, foram aprendidos e refinados “no meio do caminho”. Para muitos integrantes, era a primeira vez lidando com tarefas daquele porte, o que naturalmente aumentou o tempo gasto em revisões, iterações de sistemas e tomadas de decisão. 

Trabalhar o dobro para fazer algo novo

Segundo o produtor François Meurisse, essa combinação de experimentação e falta de experiência prévia acabou significando que o estúdio trabalhou literalmente o dobro em muitos aspectos do desenvolvimento. Como muitas etapas eram inéditas para o próprio time, eles precisaram pesquisar, testar e ajustar praticamente tudo, desde mecânicas de combate a fluxos de produção, ao invés de seguir modelos já aprendidos. 

Essa abordagem — aprender fazendo, em vez de aplicar métodos prontos, acabou sendo parte do DNA do projeto: um estúdio pequeno, tentando fazer algo que nunca tinha sido feito daquela forma antes. E embora isso tenha custado mais tempo e esforço, também resultou em um RPG que ganhou ampla aclamação da crítica e muitos prêmios, incluindo destaque no The Game Awards 2025. 

Crescimento coletivo e comunidade criativa

Outro ponto destacado durante as conversas foi a importância do trabalho colaborativo com outros estúdios e desenvolvedores na França, especialmente em Montpellier, onde Sandfall está baseada. Esse intercâmbio de ideias e práticas com outras equipes ajudou a acelerar o aprendizado e dar suporte em áreas mais desafiadoras. 

O próximo passo após o sucesso

Apesar do esforço intenso e de, literalmente, “dobrar a barra” durante o desenvolvimento, a equipe já começou a trabalhar em novos projetos. Sandfall afirmou que quer continuar tomando decisões criativas arriscadas, mesmo que isso signifique lançar jogos que nem sempre agradem a todos, um compromisso com identidade artística e inovação que começou com Clair Obscur: Expedition 33.