Ator de Joel em The Last of Us alerta contra alarmismo e destaca o valor insubstituível da criatividade humana
O avanço da inteligência artificial generativa tem provocado reações intensas em Hollywood e na indústria dos games, muitas vezes marcadas por medo e resistência. Para Troy Baker, um dos atores mais respeitados do meio e voz de Joel em The Last of Us, essa postura extremada não ajuda o setor a evoluir. Em entrevista recente, ele afirmou que demonizar a tecnologia é um erro — e que o debate precisa ser mais racional e menos emocional.
Segundo Baker, a IA não deve ser vista como um inimigo automático da arte ou dos profissionais criativos. Para ele, trata-se de uma ferramenta poderosa que, como tantas outras ao longo da história, pode ser usada de forma positiva ou irresponsável. O problema, em sua visão, não está na existência da tecnologia, mas na forma como ela é aplicada e regulamentada.
O ator reconhece que a IA generativa é capaz de produzir conteúdo em larga escala, com rapidez e eficiência impressionantes. No entanto, ele faz questão de traçar uma linha clara entre quantidade e significado. Para Baker, algoritmos podem replicar padrões, estilos e estruturas narrativas, mas não conseguem criar experiências carregadas de intenção, vivência e emoção real, elementos que definem obras memoráveis como The Last of Us.
Outro ponto levantado por Baker é o risco de saturação criativa. Com ferramentas capazes de gerar textos, vozes e imagens quase infinitamente, o mercado pode acabar inundado por conteúdos genéricos e sem identidade. Curiosamente, ele acredita que esse excesso pode ter um efeito inverso ao desejado: fazer com que o público passe a valorizar ainda mais produções autênticas, artesanais e claramente humanas.
Para o ator, o futuro ideal não é um embate entre humanos e máquinas, mas uma convivência consciente. Ele defende que a indústria invista em critérios éticos claros, transparência no uso da tecnologia e, sobretudo, respeito aos profissionais criativos. A IA pode auxiliar processos técnicos e acelerar etapas de produção, mas não deve substituir a sensibilidade artística nem apagar a autoria humana.
Baker encerra o debate com uma visão quase poética: tecnologias passam, evoluem e se transformam, mas histórias verdadeiras — aquelas que tocam, incomodam e permanecem — continuam dependendo de pessoas. E é justamente essa humanidade, segundo ele, que nenhuma inteligência artificial consegue replicar por completo.
Fonte: TheGameBusiness
