Detalhe observado no segundo trailer revela uso avançado de ossos adicionais, física e possíveis simulações de tecido no novo jogo da Rockstar
O segundo trailer de GTA 6 gerou inúmeras discussões entre os fãs, mas um detalhe específico acabou ganhando destaque nas redes sociais: as chamadas “jiggle physics” aplicadas ao corpo de Lucia, uma das protagonistas do jogo. A cena em que a personagem aparece usando um vestido amarelo, especialmente durante o momento no barco, chamou atenção pelo nível de realismo dos movimentos corporais. Agora, um ex-animador da Rockstar Games resolveu comentar o assunto e esclarecer como esse tipo de efeito é construído tecnicamente. Durante uma participação em uma livestream com o canal TGG, Mike York, que trabalhou como animador em GTA 5 e GTA Online, foi questionado diretamente sobre o acabamento das animações vistas no trailer. Segundo ele, o resultado não é fruto de um único sistema simples, mas da combinação de várias técnicas avançadas de animação e física dentro do motor do jogo.
York explicou que, dependendo do projeto e do nível de fidelidade desejado, esse tipo de movimento pode ser criado de diferentes formas. Uma das mais comuns envolve sistemas de ragdoll, nos quais os animadores ajustam parâmetros como peso, inércia, velocidade e limites de movimento para que determinadas partes do corpo reajam de maneira mais natural às ações do personagem e às forças externas. No entanto, ele acredita que, no caso específico de Lucia, a Rockstar adotou uma solução ainda mais sofisticada. Em vez de depender apenas de física procedural simples, o estúdio provavelmente adicionou ossos extras ao esqueleto da personagem, permitindo um controle muito mais preciso da deformação e da flexibilidade daquela região do corpo. Esses ossos adicionais trabalham em conjunto com o esqueleto principal, reagindo ao movimento, à aceleração e até à interação com o ambiente. O resultado é uma animação que parece orgânica, mas ainda mantém limites bem definidos para evitar exageros ou comportamentos estranhos durante a gameplay.
Experiência herdada de Red Dead Redemption 2
O ex-animador também fez uma comparação direta com Red Dead Redemption 2, jogo amplamente elogiado pelo realismo de suas animações. Segundo York, técnicas semelhantes já haviam sido usadas naquele título, principalmente para dar vida a vestidos, casacos e roupas longas dos personagens. Na época, porém, a Rockstar não utilizava uma simulação completa de tecidos em todos os casos. Em vez disso, o estúdio combinava animação tradicional com sistemas físicos simplificados, garantindo um equilíbrio entre realismo visual e desempenho. Para GTA 6, York sugere que a Rockstar pode estar indo além, possivelmente integrando esses ossos adicionais a uma simulação de cloth mais avançada, o que explicaria o salto perceptível na naturalidade dos movimentos vistos no trailer. Essa combinação permitiria que roupas e partes do corpo reagissem melhor ao vento, à gravidade e às mudanças bruscas de movimento, sem comprometer a estabilidade do jogo.
Embora muitos enxerguem as “jiggle physics” apenas como um detalhe curioso ou até meme nas redes sociais, o comentário de Mike York reforça que o efeito é resultado de um processo técnico complexo, que exige planejamento, ajustes finos e muita experiência por parte da equipe de animação. Mais do que chamar atenção isoladamente, esse tipo de cuidado indica o nível de refinamento técnico que a Rockstar pretende entregar em GTA 6, seguindo a tradição do estúdio de elevar o padrão da indústria em termos de animação, física e apresentação visual. Se um detalhe tão específico já demonstra tamanha complexidade, a expectativa é que o jogo completo apresente sistemas ainda mais avançados, reforçando a ideia de que GTA 6 será não apenas um novo capítulo da franquia, mas também um novo marco técnico para os jogos de mundo aberto.
