Shuhei Yoshida, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment, refletiu sobre a evolução da indústria de jogos japonesa em uma recente entrevista. Segundo ele, durante muitos anos, os desenvolvedores japoneses não tiveram grande reconhecimento no Ocidente, mas um título mudou essa percepção: NieR: Automata.
O impacto de NieR: Automata
Para Yoshida, a obra de Yoko Taro marcou um ponto de virada para os estúdios japoneses. Ele destacou que, na era do PlayStation 3, muitos desenvolvedores tentaram imitar Hollywood, criando jogos com forte influência ocidental. No entanto, NieR: Automata rompeu com essa tendência, apostando em um estilo narrativo e artístico essencialmente japonês, sem se preocupar com sua recepção no Ocidente.
"Eu acho que Yoko Taro fez isso sem se preocupar se venderia ou não no exterior. No entanto, foi um grande sucesso lá fora. A partir daí, ficou claro que os criadores japoneses estavam fazendo 'coisas japonesas' e essas coisas estavam vendendo no exterior. Todo mundo percebeu isso com NieR."
"Não era apenas uma questão de dizer 'Está tudo bem fazer assim', mas sim 'Temos que fazer assim'. Então, a direção dos criadores japoneses passou a ser 'Vamos parar de imitar os países estrangeiros', 'Se criarmos coisas com a nossa própria cultura e que entendemos, eles vão entender lá fora'."
Para Yoshida, NieR: Automata representou uma virada decisiva, mostrando que jogos japoneses não precisavam ser ocidentalizados para fazer sucesso internacionalmente.
As dificuldades dos jogos ocidentais no Japão
O ex-presidente da Sony também comentou sobre a recepção de jogos ocidentais no Japão. Mesmo grandes franquias do PlayStation, como God of War e Uncharted, tiveram dificuldades para se consolidar no mercado japonês.
"Naquela época, se considerarmos que 10% da base de instalação global do PlayStation era no Japão, esse número é uma estimativa, só para facilitar a explicação. Quando trouxemos jogos feitos na América ou na Europa para o Japão, as vendas lá representavam apenas 3% ou 5% das vendas globais."
Ou seja, mesmo com a forte presença do PlayStation no Japão, os títulos ocidentais não conseguiam atingir grandes números de vendas no país. No entanto, houve algumas exceções notáveis:
- Detroit: Become Human, da Quantic Dream, teve um desempenho significativamente melhor que a média.
- Ghost of Tsushima, inspirado na cultura japonesa, vendeu 1 milhão de cópias no Japão, um feito raro para um jogo ocidental.
Considerações Finais
A análise de Shuhei Yoshida reforça o impacto cultural de NieR: Automata, que não apenas teve sucesso comercial, mas também influenciou a mentalidade dos desenvolvedores japoneses. O jogo ajudou a consolidar a ideia de que produções autênticas, com forte identidade cultural japonesa, têm espaço no mercado global.
Com isso, a indústria japonesa recuperou confiança e voltou a produzir títulos que não tentam copiar Hollywood, mas sim explorar sua própria criatividade e riqueza cultural.
Fonte: Impress