Bloodborne volta ao centro do debate após fechamento da Bluepoint e notificação extrajudicial a projeto de fã

Bloodborne volta ao centro do debate após fechamento da Bluepoint e notificação extrajudicial a projeto de fã

Encerramento do estúdio reacende discussões sobre remake e levanta críticas após ação legal da Sony contra desenvolvedor independente


O anúncio do fechamento da Bluepoint Games não abalou apenas a estrutura da PlayStation Studios. Ele também trouxe de volta um velho fantasma da comunidade: o silêncio em torno de Bloodborne.

Conhecida por recriações técnicas de alto nível como Shadow of the Colossus e Demon’s Souls, a Bluepoint era frequentemente apontada como candidata natural para revisitar o clássico gótico lançado originalmente no PS4. Após o cancelamento de um projeto multiplayer interno, muitos jogadores acreditavam que um remake ou remaster de Bloodborne poderia ser o próximo passo lógico do estúdio. Com o encerramento confirmado, essa possibilidade perdeu força.

Mas a repercussão não parou por aí.

Projeto independente recebe notificação

Pouco depois da confirmação do fechamento, o desenvolvedor Maxim Foulquier revelou ter recebido uma notificação formal dos advogados de propriedade intelectual da Sony exigindo a interrupção imediata de um projeto inspirado em Bloodborne.

Foulquier trabalhava em uma versão com câmera superior, lembrando a estrutura de jogos como Diablo, utilizando o nome “Bloodborne” no projeto. A carta, datada de 11 de março de 2025, foi enviada antes mesmo de o encerramento da Bluepoint se tornar público.

Na época, o desenvolvedor acreditava que a medida poderia indicar a existência de um remake oficial em produção. Ele chegou a especular que a Bluepoint estaria envolvida em uma nova versão pensada para a próxima geração de consoles. No entanto, nenhum anúncio nesse sentido foi feito pela Sony.

Após a confirmação do fechamento do estúdio, Foulquier reagiu com frustração, questionando a decisão de encerrar uma equipe considerada talentosa enquanto, paralelamente, projetos independentes recebiam notificações legais.

A questão jurídica

Do ponto de vista legal, o cenário é relativamente direto. “Bloodborne” é uma marca registrada, e empresas costumam agir contra o uso não autorizado de suas propriedades intelectuais para preservar direitos autorais e evitar precedentes que possam enfraquecer sua proteção legal. Ignorar esse tipo de situação pode abrir espaço para disputas futuras mais complexas.

Ainda assim, a combinação entre o fechamento da Bluepoint e a ação contra um projeto de fã intensificou o debate na comunidade. Muitos enxergam a situação como um paradoxo: a franquia permanece sem novidades oficiais, mas iniciativas independentes também encontram barreiras.

E o futuro de Bloodborne?

Com a saída da Bluepoint do cenário, ao menos uma das hipóteses mais recorrentes para um eventual remake deixa de existir. Isso não significa, porém, que a franquia esteja definitivamente fora dos planos da Sony.

No ano passado, o ex-executivo da empresa, Shuhei Yoshida, comentou publicamente que existiria um estúdio considerado “escolha natural” caso a companhia decidisse revisitar o título. Nenhum nome foi confirmado oficialmente, e a própria Sony jamais indicou que um remake esteja em desenvolvimento.

Por enquanto, Bloodborne continua vivendo no território das teorias, expectativas e frustrações. E, ironicamente, cada novo movimento corporativo parece reacender ainda mais o desejo por um retorno oficial às ruas sombrias de Yharnam.